Vinte velas coloridas
Vinte jovens primaveras
Vinte risos
Vinte palmas
Vinte almas em uma só
Vinte translações em volta de um sol
Vinte voltas num mundo de todos
Mas inúmeras vinte em um universo só meu.
Quantas velas são precisas,para se comemorar a beleza,os sorrisos,os pesares e as dores de vinte anos e seus tantos dias?
sábado, 20 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Obrigada por fumar
Sentada em um banco azul,daqueles de ponto de ônibus, ela está.Olha pra esquerda furtivamente,parece acordar afinal,seria seu ônibus?Não, alarme falso,mais um dos milhares ônibus que não passam na famosa avenida de seu curso ,ela com expressão de extremo aborrecimento lança uma olhadela ao relógio prateado no pulso direito.Realmente não era seu dia.Demorara horas na noite anterior para adormecer,seu estômago parecia pulsar,pensara até que seu coração se deslocara de lugar,pois,as contrações eram fortes, ácidas e entorpecedoras.Acordou com uma ligeira dor de cabeça, que aumentava vertiginosamente a medida que ela se movimentava em direção ao seu banheiro.Tomou um banho rápido,a água bem quente caía sobre seu rosto,ficou assim por alguns instantes,sentindo o calor envolvente,passava as mão sobre o corpo massageando-o,tentando afastar os vastos e frenéticos pensamentos que serpenteavam e disputavam espaço em sua cabeça.Fechou a torneira,não cantarolou e nem ao menos escreveu frases fúteis no vidro do box de vidro transparente.Não.Ela simplesmente sacou sua toalha e mergulhou seu rosto sobre ela,fungou profundamente o perfume floral nela contido,talvez assim com a tola esperança de que com isso inalaria também,um pouco de ânimo com aquela essência reconfortante.Saiu do banheiro e o ar frio lhe causou calafrios,se trocou rapidamente.Foi pra cozinha e a caneca com o cafè com leite santo de todos os dias estava lá,no mesmo lugar de sempre á direita no balcão da cozinha.Sua mãe lhe serve o pão e junto com ele as habituais perguntas pertinentíssimas matinais.Responde sem vontade,esboça um sorriso fraco para a mãe,e pede que se cessem as peguntas,sua cabeça ainda lateja.Na colher caem vinte e cinco gotas,de sabor lastimável,nem ao comprimido tem direito,comprimidos agridem o estômago sempre diz sua mãe.Uma careta de criança inevitável ao sentir o líquido cortar sua garganta,bebe um gole apenas de água para seu doce refresco,um gole ao menos,graças a Deus!
Ela pega a mochila,três esborrifadas de perfume no pescoço,duas nos pulsos,pega o celular e confere se o cartão do ônibus está no bolso da calça,coloca os fones no ouvido e os óculos,a cabeça continua latejando,quantos segundos,minutos e horas o bendito líquido amargo iria demorar para dar efeito?Desce as escadas,sedentária,só mesmo as escadas para lhe salvar.Sobe a rua,ao som de músicas de batidas conhecidas e envolventes,divertidas ou tocantes.Olha para atrás,sua mãe acena de longe do prédio.Ofegante ao topo da rua vê seu ônibus ao longe no ponto,tenta correr, não alcança,ótimo!Vai se atrasar.Emburrada,porém conformada,ela decide se sentar no último banco azul do ponto.Sente o tão conhecido cheiro da fumaça de tabaco e nicotina,olha para o lado e vê um moço,cara de novo, impunhando seu cigarro de forma quase que teatral.Se não estivesse espirrando repetidamente em função da fumaça e sua rinite matinal,ela riria bem alto diante daquela visão tão bizarra,não,ela riria pra si,não é nem de olhar pra ninguém na rua sozinha.Mas com certeza riria,nem que disfarçasse.O protótipo de James Dean em "Rebelde sem causa",ao menos a divertiu,e como de costume,ela tentou meio que em canto de olhos analisar o moço,sem olhar,ela faz uma linha discreta,mas sua curiosidade late.Com o nariz vermelho,no melhor estilo daquela famosa rena natalina,ela continua a olhar de canto de olhos o garoto dos cigarros e ele continua com sua pose de rock star,ele parecia confiante,como se seu cigarro lhe proporcionasse uma segurança que,sem ele não existia.Entretanto ele podia me fazer o pequeno favor de baforejar essa fumaça seca e tóxica um pouco mais longe de mim,ironicamente pensou.Ah,mas com certeza,e obrigada por fumar.
Ela pega a mochila,três esborrifadas de perfume no pescoço,duas nos pulsos,pega o celular e confere se o cartão do ônibus está no bolso da calça,coloca os fones no ouvido e os óculos,a cabeça continua latejando,quantos segundos,minutos e horas o bendito líquido amargo iria demorar para dar efeito?Desce as escadas,sedentária,só mesmo as escadas para lhe salvar.Sobe a rua,ao som de músicas de batidas conhecidas e envolventes,divertidas ou tocantes.Olha para atrás,sua mãe acena de longe do prédio.Ofegante ao topo da rua vê seu ônibus ao longe no ponto,tenta correr, não alcança,ótimo!Vai se atrasar.Emburrada,porém conformada,ela decide se sentar no último banco azul do ponto.Sente o tão conhecido cheiro da fumaça de tabaco e nicotina,olha para o lado e vê um moço,cara de novo, impunhando seu cigarro de forma quase que teatral.Se não estivesse espirrando repetidamente em função da fumaça e sua rinite matinal,ela riria bem alto diante daquela visão tão bizarra,não,ela riria pra si,não é nem de olhar pra ninguém na rua sozinha.Mas com certeza riria,nem que disfarçasse.O protótipo de James Dean em "Rebelde sem causa",ao menos a divertiu,e como de costume,ela tentou meio que em canto de olhos analisar o moço,sem olhar,ela faz uma linha discreta,mas sua curiosidade late.Com o nariz vermelho,no melhor estilo daquela famosa rena natalina,ela continua a olhar de canto de olhos o garoto dos cigarros e ele continua com sua pose de rock star,ele parecia confiante,como se seu cigarro lhe proporcionasse uma segurança que,sem ele não existia.Entretanto ele podia me fazer o pequeno favor de baforejar essa fumaça seca e tóxica um pouco mais longe de mim,ironicamente pensou.Ah,mas com certeza,e obrigada por fumar.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Now you know
Fiquei tanto tempo querendo escrever abertamente sobre isso,nunca consegui,sempre querendo ir pelo subentendido como você.Eu posso estar sendo bem idiota,mas resolvi arriscar,vou pagar pra ver.Se não for mesmo o que eu penso que seja,essa letra vai valer do mesmo jeito.Eu também sou artista não se esqueça,e vou deixar o que eu mais amo fale por mim,aproveite que eu nem mesmo te conheço,mas gosto de você.
Agora você sabe(Now you know).
Dentro destes olhos, existiam palavras mais do que
Qualquer coisa que eu tenha dito
Como os céus, virando cinza meu coração está
Apenas perto de se abrir
Então a história continua
E tem uma coisa que você deveria saber
Antes que eu vá embora e sopre o final
Eu nunca quero estar sem você
Oh não... aqui vou eu, e agora você sabe
O que eu sinto sobre você
Não tem fim
Eu devia estar errada por ter duvidado de você
Oh não... lá vou eu, sem controle
Mas eu estou caindo então agora você sabe
Me sinto tão leve,desejando não procurar
Todas essas verdades me deixam vazia
Você vai correr? Você pode lidar com isto?
Porque eu preciso que você me diga
Talvez isto seja ousado
Mas estou esperando você ficar para o final feliz
Não eu não vou vou olhar pra trás quando eu te disser o que eu penso sobre você
Então a história continua
Você já sabe
Então não seja um tolo e vá estragar o final
Pronto,agora você sabe.
Agora você sabe(Now you know).
Dentro destes olhos, existiam palavras mais do que
Qualquer coisa que eu tenha dito
Como os céus, virando cinza meu coração está
Apenas perto de se abrir
Então a história continua
E tem uma coisa que você deveria saber
Antes que eu vá embora e sopre o final
Eu nunca quero estar sem você
Oh não... aqui vou eu, e agora você sabe
O que eu sinto sobre você
Não tem fim
Eu devia estar errada por ter duvidado de você
Oh não... lá vou eu, sem controle
Mas eu estou caindo então agora você sabe
Me sinto tão leve,desejando não procurar
Todas essas verdades me deixam vazia
Você vai correr? Você pode lidar com isto?
Porque eu preciso que você me diga
Talvez isto seja ousado
Mas estou esperando você ficar para o final feliz
Não eu não vou vou olhar pra trás quando eu te disser o que eu penso sobre você
Então a história continua
Você já sabe
Então não seja um tolo e vá estragar o final
Pronto,agora você sabe.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Would you be Happier?

Só para dar ouvidos á um queridíssimo amigo meu,resolvi por esses dias trocar Augusto dos Anjos por Antero de Quental(como ele me disse.)
Pois então,esses textos positivistas,refletem que minha felicidade ainda que pálida,mas,se faz presente em momentos da minha vida por agora,pode e vai ser cada vez melhor!Sem medos,mágoas e essas coisas tão mundanas,que sempre nós impedem de crescermos e sermos felizes não é mesmo?Então Guga,é pra você!E também é para um outro amigo,que precisa de se libertar de algumas amarras,que ele mesmo cria e nem ao menos percebe,que o desânimo consiste nele mesmo.É pra ele também.
Uma música,pois eu sempre curo qualquer enfermidade minha com música,não consigo viver sem definitivamente,quero dividir essa música de uma banda que eu idolatro,The Corrs,com quem ler esse texto aqui.Eu me sinto exatamente como a música descreve,e sejamos todos bem sinceros,quem já não se sentiu?A questão é,você seria mais feliz se fizesse o quê?Descubra,encontre um caminho e faça!Não adianta dar desculpas,e olha que pra mim isso também é difícil,mas,como diz meu bom e velho pai,não adianta se questionar,onde há dúvida não há fé!
Você Seria Mais Feliz?
Você já se perguntou onde a estória termina e como tudo começou?
Eu já (eu já, eu já, eu já)
Você sonhou que era a estrela do filme, com a pipoca na mão
Eu já (eu já, eu já, eu já)
Você sempre pensa que é outro alguém dentro de si quando ninguém entende que você é (você é)
E quer desaparecer dentro de um sonho mas nunca quer acordar, despertar?
Daí você cambaleia no amanhã e tropeça no hoje
Você seria mais feliz se você fosse uma pessoa centrada?
O sol brilharia mais forte se você tivesse um papel maior?
Você estaria maravilhosa se não fosse pelo clima?
Você vai ficar ótima (você vai ficar ótima)
Você não está com medo de contar sua estória agora?
Quando todo mundo acabar será tarde demais (tarde demais, tarde demais)
Tudo que você disse ou fez não foi do jeito que você planejou?
O erro
Então você prometeu que amanhã será diferente de hoje
Você seria mais feliz se você fosse uma pessoa centrada?
O sol brilharia mais forte se você tivesse um papel maior?
Você estaria maravilhosa se não fosse pelo clima?
Você vai ficar ótima (você vai ficar ótima)
Eu acho que você vai ficar ótima
Você vai ficar ótima
Então, não se preocupe, meu bem
Você está correndo para amanhã, sem terminar o hoje
Nós seríamos mais felizes se fôssemos pessoas centradas?
O sol brilharia mais forte se nós tivéssemos um papel maior?
Nós estaríamos maravilhosas se não fosse pelo clima?
Eu acho que nós vamos ficar ótimas
Eu acho que você vai ficar ótima
Não se preocupe, meu bem
Vai ficar tudo ótimo
Não se preocupe, querida
Vai ficar tudo ótimo
Não se preocupe, meu bem
Tudo vai ficar ótimo!
(The Corrs.Would you be happier?)
É,eu acho mesmo que no fim nós todos ficaremos bem!Tudo sempre fica afinal,se não está,é porque no fim ainda não chegamos,não é mesmo?
Don't worry babe,you will gonna be just fine!
As horas
"Outra vez eu não ouvi tuas palavras
Você sempre tem razão
Como posso me arriscar sem dar ouvidos,
seu instinto me querendo sempre bem.
Eu vejo nas horas o que não se ve
Me perco lá fora pensando em você
Um dia eu aprendo e mudo de rumo
Sei que posso te provar que não há nada
Nessas horas de ilusão
Me perdoa, me aceita no seu mundo
Me devolve tudo que já era bom
Na verdade o que importa
O que trago na canção
É o amor que hoje entrego em suas mãos
Seu sorriso, uma palavra, sua voz no coração
É o amor que hoje entrego em suas mãos
Um dia eu aprendo e mudo de rumo".
(As horas,Marjorie Estiano.)
Um dia uma garota de dezesseis anos escutou essa música,
Um outro ela com dezenove escutou de novo,
e viu que tem coisas que demoramos a aprender...
Você sempre tem razão
Como posso me arriscar sem dar ouvidos,
seu instinto me querendo sempre bem.
Eu vejo nas horas o que não se ve
Me perco lá fora pensando em você
Um dia eu aprendo e mudo de rumo
Sei que posso te provar que não há nada
Nessas horas de ilusão
Me perdoa, me aceita no seu mundo
Me devolve tudo que já era bom
Na verdade o que importa
O que trago na canção
É o amor que hoje entrego em suas mãos
Seu sorriso, uma palavra, sua voz no coração
É o amor que hoje entrego em suas mãos
Um dia eu aprendo e mudo de rumo".
(As horas,Marjorie Estiano.)
Um dia uma garota de dezesseis anos escutou essa música,
Um outro ela com dezenove escutou de novo,
e viu que tem coisas que demoramos a aprender...
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Amarras imaginárias
Abro a janela
Vejo o dia
Repleto de coisas tão belas
Que ontem eu acordava num egoísmo triste e não via
Sinta só a brisa e o ar
Quão suave a vida vem,quão suave a vida é
Só permita-se a conseguir tudo aquilo que você acha que não pode
Tudo aquilo que se quer
Vamos já respire fundo,não se intimide com o que há de imundo
Não deixe o cansaço e a derrota te alcançar
Mostre que as fraquezas sempre virão,mas sempre se tem aquele poder
Da sua alma o mais profundo
Ontem o dia era triste
Meu coração era só as sombras de um medo desigual
Que lindo dia nasceu hoje,me felicite
Pois hoje foi bom,e a amanhã a felicidade será um sonho real
Ontem eu cantava baixo e rouco
Que estranho,cantava tímido e pouco,uma cantora ofegante
Hoje eu cantei alto,cantei para todos os ventos e até para os loucos
Hoje eu lembrei do que eu achava em mim o mais interessante
Ontem eu estava apavorada
Meus fantasmas borravam meus desenhos
Eu estava de tudo tão cansada
Hoje eu me lembrei dos meus sonhos
Hoje eu me olhei no espelho
E meus olhos não acordaram vermelhos
De tanto chorar
Só hoje,eu me libertei desse meu inimigo
Tão baixo era o meu medo
Que hoje eu vivi e finalmente pude me libertar
"As amarras estão mesmo em um nó,que somente nós mesmos podemos desamarrar.Na verdade, nunca existiu chave ou cadeado,se você olhar bem para trás,vai ver que suas mãos estiveram sempre soltas ,foi você que se esqueceu de que elas estavam lá."
"Liberdade é pouco,o que eu desejo ainda não tem nome"
Clarice Lispector.
Vejo o dia
Repleto de coisas tão belas
Que ontem eu acordava num egoísmo triste e não via
Sinta só a brisa e o ar
Quão suave a vida vem,quão suave a vida é
Só permita-se a conseguir tudo aquilo que você acha que não pode
Tudo aquilo que se quer
Vamos já respire fundo,não se intimide com o que há de imundo
Não deixe o cansaço e a derrota te alcançar
Mostre que as fraquezas sempre virão,mas sempre se tem aquele poder
Da sua alma o mais profundo
Ontem o dia era triste
Meu coração era só as sombras de um medo desigual
Que lindo dia nasceu hoje,me felicite
Pois hoje foi bom,e a amanhã a felicidade será um sonho real
Ontem eu cantava baixo e rouco
Que estranho,cantava tímido e pouco,uma cantora ofegante
Hoje eu cantei alto,cantei para todos os ventos e até para os loucos
Hoje eu lembrei do que eu achava em mim o mais interessante
Ontem eu estava apavorada
Meus fantasmas borravam meus desenhos
Eu estava de tudo tão cansada
Hoje eu me lembrei dos meus sonhos
Hoje eu me olhei no espelho
E meus olhos não acordaram vermelhos
De tanto chorar
Só hoje,eu me libertei desse meu inimigo
Tão baixo era o meu medo
Que hoje eu vivi e finalmente pude me libertar
"As amarras estão mesmo em um nó,que somente nós mesmos podemos desamarrar.Na verdade, nunca existiu chave ou cadeado,se você olhar bem para trás,vai ver que suas mãos estiveram sempre soltas ,foi você que se esqueceu de que elas estavam lá."
"Liberdade é pouco,o que eu desejo ainda não tem nome"
Clarice Lispector.
domingo, 24 de agosto de 2008
Na esquina,no prédio,na feira ou no mercado,há sempre uma cotinha.

Virgínia vem com duas sacolas de mercado,cabisbaixa, com olhar perdido e expressão pensativa.Passa distraída e dobra a esquina da praça, quando encontra D.Carlota a vizinha de rua,duas casas ao lado da sua.
-Olá Giginha,como vai sua mãe?-interrompe D.Carlota Virgínia em seus devaneios.
-Ah,vai bem D.Carlota-Responde Virgínia,pensando irritada,o porque de D.Carlota ainda chama-la de Giginha,seu apelido de infância,considerando que Virgínia beira os vinte anos.
-E o seu pai,como está na nova casa?Nossa,deve estar sendo muito difícil para sua mãe,ser largada depois de tantos anos de casamento,ela praticamente doou os melhores anos da vida dela ao seu pai a você e o Luizinho.
E é tão difícil pra se arrumar alguém nessa nossa idade,Deus me livre se Rodolfo me larga,acho que vou para um convento!
Sempre tão agradável a D.Carlota,pensa com ironia Virgínia.D.Carlota é quem Virgínia,em um de seus mais pérfidos dias,ou melhor,qualquer pessoa em um dia ruim,menos quer encontrar ao dobrar a esquina da praça.A fofoqueira de plantão,envolta de morais e princípios que ela mesma desafia,ao destilar os mais amargos detalhes da vida alheia do bairro.E ela,justo Virgínia,filha de Gertrudes,a mais nova separada do bairro,irmã mais nova de Luizinho,o "arruaceiro juvenil",justo ela no seu dia de crise,foi topar com a Cotinha do bairro.Ela conformada com o destino de dar de frente com tão desagradável conversa,responde sempre muito educada,com sua voz mais forçadamente paciente.
-Pois é né D.Carlota,essas coisas nunca são fáceis pra ninguém,em idade alguma,a dor maior ou menor é sempre dor.Minha mãe é boa e trabalhadora,logo ela se recuperará.
-É sim querida,sua mãe é mesmo muito boa,foi um pouco relaxada com o casamento com seu pai,afinal homens são homens e nós precisamos relevar certas besteiras que eles fazem.Mas e você querida,está namorando?Nunca te vimos com rapaz algum neste bairro,e algumas de suas amigas já estão quase com o pé no altar.Você completa vinte este ano não?
Como ela fala!Meu Deus,como alguém pode gastar tanto tempo de sua vida observando e sabendo da vida amorosa dos outros?-Pensou Virgínia.
Também,o que mais ela tem a fazer,a não ser cuidar da casa e fofocar,já que seu marido aposentado vive jogando gamão na praça ou bebendo umas a mais no bar?Sem maldades,para não cair na soberba e acabar como uma D.Carlota da vida,é claro.Virgínia ficou com vergonha e com uma raiva contraditória em si.Ela não sabia do que,nem de quem sentia mais raiva e vergonha,de si ou de D.Carlota,a vizinha de duas casas abaixo.Sim,pois,ela sentia uma raiva de ser uma pessoa tão complicada e por nunca ter arranjado alguém,ou mesmo ter tido a sorte também,ou a raiva e vergonha por uma senhora sem filhos pra da vida cuidar e um marido que se revesava entre a praça e o bar.Pensou,e ficou calma mais uma vez,quanto a sua mãe "ter sido relaxada com o casamento",nem discutiria,não valia a pena,e mesmo cutucada a sua maior ferida dos últimos dias,ela achou melhor mesmo não cair no fel da vizinha.
-Sim,faço vinte anos nesse próximo mês.E quanto a eu nunca ter aparecido com rapaz algum no bairro,talvez fosse porque rapaz nenhum
conquistou a posição de ser minha companhia pelos meus passeios bairris,se é que a senhora me entende.Aliás, não é a senhora
mesmo,que diz que essas garotas da minha idade são espevitadas demais ao trocar com tanta frequência de par?Pois então,olha como a tenho em grande valia,eu sigo bem a risca os seus tão sempre úteis conselhos.
Touchet!Essa enrubesceu D.Carlota,que sem graça,mas disfarçando, respondeu:
-É verdade minha filha,não tem que ser mesmo como essas meninas vulgares,que pensam que agradam,mas que já ficaram com a moral mais suja que corrimão de prédio público ao olhos dos homens.Só cuidado,para não acabar como aquela amiga da sua mãe,aquela lá solteirona fumante,que tem jeito de sapatão,aproveite que faz vinte esse próximo mês e já fique de olho pra fisgar um homem decente minha filha,senão só vão te restar os piores!Mas já vou indo,tenho que ir ao mercado pra comprar a mistura do almoço,está muito grande a fila do açouque?
-Não,estava maior quando cheguei,agora está mais sossegado o mercado.E pode deixar,que de ser feliz nessa vida eu vou cuidar.
-Até logo querida,e não fique triste,bonita desse jeito,pelo menos algum moço vai te cortejar.Mande um beijo para Gertrudes.
-Ah,obrigada(ufa!ela já está caminhando em direção á esquina da praça).Até,mandarei.
Virgínia,caminha até o meio da praça,quando atravessa rua em frente ao bar e vê seu Rodolfo bêbado mais uma vez,piscando pra ela ao passar.
Diante a essa visão,sua raiva por D.Carlota,e todas suas ofensas,á sua mãe,irmão,amigas e até a D.Magali a amiga"solteirona" super boa gente da sua mãe,ela resolve perdoar.E mais,aquele peso de ser a única moça solteira do bairro,que nunca namorou,e nunca fora correspondida,também passa,afinal,de que adianta casar com alguém se for para uma D.Carlota se tornar?
A partir daí Virgínia sorri,e segue descendo a rua até sua casa,feliz por
poder compreender as pessoas e perdoar.Um dia o moço de Virgínia há de chegar,e se não chegar?Bom,acho que ninguém acha que Virgínia,a doce e determinada Virgínia,de cabelos compridos castanhos e olhos grandes irá assim terminar,não é mesmo?Mas isso fica pra outra estória...
Fim.
-Olá Giginha,como vai sua mãe?-interrompe D.Carlota Virgínia em seus devaneios.
-Ah,vai bem D.Carlota-Responde Virgínia,pensando irritada,o porque de D.Carlota ainda chama-la de Giginha,seu apelido de infância,considerando que Virgínia beira os vinte anos.
-E o seu pai,como está na nova casa?Nossa,deve estar sendo muito difícil para sua mãe,ser largada depois de tantos anos de casamento,ela praticamente doou os melhores anos da vida dela ao seu pai a você e o Luizinho.
E é tão difícil pra se arrumar alguém nessa nossa idade,Deus me livre se Rodolfo me larga,acho que vou para um convento!
Sempre tão agradável a D.Carlota,pensa com ironia Virgínia.D.Carlota é quem Virgínia,em um de seus mais pérfidos dias,ou melhor,qualquer pessoa em um dia ruim,menos quer encontrar ao dobrar a esquina da praça.A fofoqueira de plantão,envolta de morais e princípios que ela mesma desafia,ao destilar os mais amargos detalhes da vida alheia do bairro.E ela,justo Virgínia,filha de Gertrudes,a mais nova separada do bairro,irmã mais nova de Luizinho,o "arruaceiro juvenil",justo ela no seu dia de crise,foi topar com a Cotinha do bairro.Ela conformada com o destino de dar de frente com tão desagradável conversa,responde sempre muito educada,com sua voz mais forçadamente paciente.
-Pois é né D.Carlota,essas coisas nunca são fáceis pra ninguém,em idade alguma,a dor maior ou menor é sempre dor.Minha mãe é boa e trabalhadora,logo ela se recuperará.
-É sim querida,sua mãe é mesmo muito boa,foi um pouco relaxada com o casamento com seu pai,afinal homens são homens e nós precisamos relevar certas besteiras que eles fazem.Mas e você querida,está namorando?Nunca te vimos com rapaz algum neste bairro,e algumas de suas amigas já estão quase com o pé no altar.Você completa vinte este ano não?
Como ela fala!Meu Deus,como alguém pode gastar tanto tempo de sua vida observando e sabendo da vida amorosa dos outros?-Pensou Virgínia.
Também,o que mais ela tem a fazer,a não ser cuidar da casa e fofocar,já que seu marido aposentado vive jogando gamão na praça ou bebendo umas a mais no bar?Sem maldades,para não cair na soberba e acabar como uma D.Carlota da vida,é claro.Virgínia ficou com vergonha e com uma raiva contraditória em si.Ela não sabia do que,nem de quem sentia mais raiva e vergonha,de si ou de D.Carlota,a vizinha de duas casas abaixo.Sim,pois,ela sentia uma raiva de ser uma pessoa tão complicada e por nunca ter arranjado alguém,ou mesmo ter tido a sorte também,ou a raiva e vergonha por uma senhora sem filhos pra da vida cuidar e um marido que se revesava entre a praça e o bar.Pensou,e ficou calma mais uma vez,quanto a sua mãe "ter sido relaxada com o casamento",nem discutiria,não valia a pena,e mesmo cutucada a sua maior ferida dos últimos dias,ela achou melhor mesmo não cair no fel da vizinha.
-Sim,faço vinte anos nesse próximo mês.E quanto a eu nunca ter aparecido com rapaz algum no bairro,talvez fosse porque rapaz nenhum
conquistou a posição de ser minha companhia pelos meus passeios bairris,se é que a senhora me entende.Aliás, não é a senhora
mesmo,que diz que essas garotas da minha idade são espevitadas demais ao trocar com tanta frequência de par?Pois então,olha como a tenho em grande valia,eu sigo bem a risca os seus tão sempre úteis conselhos.
Touchet!Essa enrubesceu D.Carlota,que sem graça,mas disfarçando, respondeu:
-É verdade minha filha,não tem que ser mesmo como essas meninas vulgares,que pensam que agradam,mas que já ficaram com a moral mais suja que corrimão de prédio público ao olhos dos homens.Só cuidado,para não acabar como aquela amiga da sua mãe,aquela lá solteirona fumante,que tem jeito de sapatão,aproveite que faz vinte esse próximo mês e já fique de olho pra fisgar um homem decente minha filha,senão só vão te restar os piores!Mas já vou indo,tenho que ir ao mercado pra comprar a mistura do almoço,está muito grande a fila do açouque?
-Não,estava maior quando cheguei,agora está mais sossegado o mercado.E pode deixar,que de ser feliz nessa vida eu vou cuidar.
-Até logo querida,e não fique triste,bonita desse jeito,pelo menos algum moço vai te cortejar.Mande um beijo para Gertrudes.
-Ah,obrigada(ufa!ela já está caminhando em direção á esquina da praça).Até,mandarei.
Virgínia,caminha até o meio da praça,quando atravessa rua em frente ao bar e vê seu Rodolfo bêbado mais uma vez,piscando pra ela ao passar.
Diante a essa visão,sua raiva por D.Carlota,e todas suas ofensas,á sua mãe,irmão,amigas e até a D.Magali a amiga"solteirona" super boa gente da sua mãe,ela resolve perdoar.E mais,aquele peso de ser a única moça solteira do bairro,que nunca namorou,e nunca fora correspondida,também passa,afinal,de que adianta casar com alguém se for para uma D.Carlota se tornar?
A partir daí Virgínia sorri,e segue descendo a rua até sua casa,feliz por
poder compreender as pessoas e perdoar.Um dia o moço de Virgínia há de chegar,e se não chegar?Bom,acho que ninguém acha que Virgínia,a doce e determinada Virgínia,de cabelos compridos castanhos e olhos grandes irá assim terminar,não é mesmo?Mas isso fica pra outra estória...
Fim.
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